quinta-feira, 19 de abril de 2007

Alcoolismo e os Jovens

O uso de álcool entre adolescentes é naturalmente um tema controverso no meio social e acadêmico brasileiro. Ao mesmo tempo em que a lei brasileira define como proibida a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos (Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996), é prática comum o consumo de álcool pelos jovens – seja no ambiente domiciliar, seja em festividades, ou mesmo em ambi entes públicos.
A sociedade como um todo adota atitudes paradoxais frente ao tema: por um lado condena o abuso de álcool pelos jovens, mas é tipicamente permissiva ao estímulo do consumo por meio da propaganda.


Você sabe o que bebe?
Onda "Ice" estimula adesão precoce ao Álcool.


A mais recente e importante investida da indústria de bebidas na busca de consumidores jovens brasileiros: a introdução, a partir de 99, dos produtos "ices" - que misturam vodca, uísque, rum e cachaça com sucos, água ou qualquer outro líquido que dilua o álcool e disfarce seu sabor acentuado, tornando-o mais tolerável ao paladar juvenil.
No mundo, as "ices" (pronuncia-se aices) são a bebida cujo consumo cresce mais rápido, segundo dados da Nielsen (empresa de pesquisa de mercado) de 2002.
O teor alcoólico das bebidas gira em torno de 5%, próximo do da cerveja. Bebe-se rápido e sem sentir o gosto do álcool. Algumas da garrafinhas equivalem, por exemplo, a uma dose de uísque.
"Ices" propriamente ditas, refrigerantes alcoólicos, coquetéis ou bebidas mistas, os fabricantes querem ser os primeiros a molhar com álcool a boca dos bebedores jovens, dizem especialistas. Pela lei, é proibida a venda de bebida alcoólica a menores de 18 anos. Mas a falta de fiscalização permite que adolescentes também saboreiem essas "poções mágicas".
A estratégia desses produtos é parecida com a das cervejas: os temas são alegria, juventude e sexualidade. As "ices" estão querendo substituir as cervejas como as bebidas de iniciação na cultura etílica. As propagandas igualam juventude às bebidas. Não fica claro em que idade inicia-se essa juventude: aos 21, 18, 15 anos?", indaga a coordenadora do ambulatório de adolescentes da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Ilana Pinsky, depois de analisar algumas propagandas.
"Misturando álcool com suco de frutas, bebidas energéticas e outros produtos, usando propagandas focadas no estilo de vida jovem, esportes e diversão, os grandes produtores de álcool tentam estabelecer o hábito da bebida em idades muito jovens", disse em fevereiro de 2001 a diretora-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Gro Harlem Brundtland, ao discursar na conferência ministerial européia sobre álcool e jovens. Na ocasião, ela pediu restrições ao marketing.
Em maio de 2002, após o primeiro encontro sobre propaganda de álcool e jovens, realizado na Espanha, especialistas recomendaram que a OMS oriente os países para que a juventude não seja exposta a propagandas nocivas.
É certo que as misturas abocanham ainda a menor fatia do mercado de bebidas brasileiro, apesar de produtores não divulgarem dados. E é claro que eles querem mais. Nos EUA, as vendas das misturas eram estimadas em US$ 1,5 bilhão em 2000
Entre 2000 e 2001, ainda engatinhando, o investimento em publicidade dessas bebidas cresceu 88% no Brasil, contra 38% da poderosa indústria da cerveja, segundo dados do Ibope Monitor.
"É preciso considerar que a quase totalidade dos coquetéis, como chamamos essas bebidas, entrou no mercado em 2002", diz Rita Romero, gerente de novos projetos do Ibope. Hoje, já são bem mais de 15 marcas.
É preciso considerar também que o consumo de cerveja desde 1999 se estagnou em torno de 8 bilhões de litros por ano.
A investida em gerações mais jovens pode aumentar ainda mais os danos causados pelo álcool.
"Estudos mostram que, quanto mais cedo se começa a beber, mais chance a pessoa terá de ficar dependente", diz o médico Dartiu Xavier da Silveira, da Unifesp.
Pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas com alunos de escolas estaduais mostrou que 65% já tinham experimentado bebida alcoólica. E mais: 50% tinham bebido pela primeira vez entre dez e 12 anos.
Fonte: http://www.alcoolismo.com.br/sabe_bebe.html

25% dos jovens da elite bebem em excesso.
Cena um: pouco depois da meia-noite, Carol, 17, entorna o último gole da segunda dose de uísque da noite. Ela está na casa de um colega que assaltou o armário de bebidas do pai. Lá pelas 2h, Carol pára de contar os copos que passam por sua mão. "Fiquei louca", diz.
Cena dois: às 6h, Carol acorda com o celular tocando insistentemente. Ela ainda está no local da festa, e a mãe está à sua caça. "Perdi a noção do tempo", admite. Mas o pior está por vir: minutos depois de acordar, Carol recorda "em flashes", como gosta de dizer, que tinha transado sem camisinha com um garoto que havia conhecido naquela noite.
"Comecei a chorar na hora. Até hoje não sei dizer se transei sem camisinha porque a gente não tinha uma na hora ou se foi porque eu estava tão bêbada que nem lembrei que isso existia."
Com pai empresário e mãe médica, Carol é a típica adolescente de elite. Mora em um apartamento de quatro dormitórios num bairro de classe média alta da zona oeste de São Paulo. Estuda em uma escola particular de renome, na qual já teve aulas de orientação sexual e de prevenção à Aids.
Recebe mesada gorda, veste roupas da moda e sai à noite, em média, duas vezes por semana. Em suas andanças noturnas, bebe cerca de seis latas de cerveja. "Só que, depois daquela festa, nunca mais bebi tanto."
Sem contar o episódio aos pais, Carol fez um teste de HIV. "Está tudo certo. Tive muita sorte." Se fosse um caso de "azar", ela teria engrossado o número de jovens portadores de HIV. Até 2003, eles eram mais de 47 mil entre 13 a 24 anos. Quase a metade deles contraiu o vírus por via sexual.
Que adolescente bebe todo mundo sabe. Que transa sem camisinha parece surpreendente para os pais, que, confiantes na difusão de informações sobre drogas e Aids, são os últimos a saber o que seus filhotes aprontam longe da vigília familiar. Acontece que histórias como a de Carol não são tão raras quanto se imagina.
É isso o que indica uma pesquisa inédita do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). São dois os dados mais surpreendentes do levantamento, realizado com jovens de 14 a 19 anos de escolas particulares voltadas para as classes A e B de São Paulo, Brasília e Campinas. O primeiro é que um quarto dos adolescentes mantém um padrão de consumo de álcool considerado de risco pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
"Bebem de maneira considerada arriscada para adultos, imagine para jovens", avalia o psiquiatra Dartiu Xavier, autor do estudo e coordenador do Proad. "É um consumo que promove danos sérios e irreversíveis à saúde, como a destruição de neurônios e do fígado." O segundo dado é que, entre aqueles que têm vida sexual ativa (cerca de 70%), só 30% faz uso sistemático de camisinha.
Entre um dado e outro, há um agravante: os adolescentes que bebem com alguma regularidade (65% deles) tiveram uma média de quatro parceiros sexuais diferentes nos seis meses que antecederam a pesquisa. Alguns tiveram até oito parceiros no período.
"Não sei o que assusta mais: o consumo de álcool ou o comportamento sexual de risco", afirma Xavier. "Os dados revelam que o aumento do número de parceiros e de relações sexuais está diretamente relacionado à quantidade de álcool consumida. Se isso é proporcional, esses adolescentes estão menos criteriosos quanto à escolha do parceiro."
"Para esses jovens de classe A e B, essa talvez seja uma maneira de dizer que, apesar do casulo de hiperproteção mantido pelos pais, eles vivem algumas coisas de verdade e assumem riscos", avalia o psicanalista e colunista da Folha Contardo Calligaris.
Os amigos Marcela, 17, Tiago, 16, e Luíza, 17, tratam do tema com naturalidade. Eles admitem beber duas ou mais vezes por semana e já ter feito sexo sem proteção após consumir doses exageradas de álcool. "Acho que o álcool faz a gente querer correr mais riscos. Quando estamos bêbados, perdemos a percepção do perigo", diz Luíza.


Uso abusivo do álcool entre Adolescentes

A situação do problema: prevalência de experimentação, consumo regular, abuso e dependência de álcool entre os adolescentes
Os estudos epidemiológicos sugerem que 19% dos adolescentes norte-americanos apresentam abuso de álcool (Cohen et al., 1993). Os dados brasileiros são mais escassos e indicam haver características regionais quanto ao uso de álcool e outras SPA. Considerando-se o uso na vida, de acordo com o I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil (2001) a prevalência é de 48,3% entre jovens de 12 a 17 anos em 107 grandes cidades brasileiras. Neste estudo, ainda na análise das 107 cidades em conjunto e para esta mesma faixa etária, a prevalência de dependência de álcool foi 5,2%.
Analisando-se os dados de acordo com a região brasileira, encontramos a maior prevalência de uso na vida de álcool na Região Sul (54,5%) e maior prevalência de dependência de álcool nas Regiões Norte e Nordeste (9,2 e 9,3%, respectivamente). Entretanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Tecnologia (UNESCO) (2002), a cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, lidera o ranking dos usuários regulares de SPA lícitas e ilícitas, com 14,4% de usuários de álcool. Apesar da relativa escassez de dados nacionais, estes estão de acordo com a literatura internacional no sentido da dependência química ser o problema de saúde mental mais prevalente entre adolescentes, com o álcool em primeiro lugar. Estes dados tornam-se mais alarmantes à medida que consideramos o forte impacto negativo do uso regular de álcool na adolescência, como será detalhado adiante.

Álcool nicotina e mergulho: o que você deve saber

Todos sabemos dos males do álcool e da nicotina. Mesmo com resultados de pesquisas recentes que apontam o consumo moderado do álcool como algo benéfico à saúde, não há dúvidas dos malefícios trazidos por tais substâncias, principalmente aliadas ao excesso. No entanto, há décadas muitos de nós bebem ou fumam. Qual seria então o impacto do álcool e da nicotina em nosso organismo e de que forma isso nos influencia durante o mergulho?
Aqueles que aventuram-se embaixo d'água têm interesses especiais quando nossas potencialidades mentais ou físicas são danificadas. Nós também devemos considerar os fatores especiais, irrelevantes aos não mergulhadores, tais como a perda de calor e a descompressão. Assim, para se tomar uma decisão responsável sobre beber ou fumar, devemos, primeiramente, compreender os efeitos originais que o álcool e a nicotina trazem para seus usuários, a fim de que possam aplicá-los às condições do mergulho.
Pesquisas apontam que o álcool compromete nossa circulação periférica. Se você bebe antes de mergulhar o aumento do fluxo de sangue pode afetar a absorção de nitrogênio, não previsto em sua tabela. Isso significa que o risco de uma doença descompressiva eleva-se ainda mais, pois se estaria fora dos limites descompressivos. As propriedades diuréticas do álcool fazem com que haja desidratação do usuário com a perda de líquido conseqüente. A redução do volume de líquido altera a densidade sanguínea, alterando a eficiência da circulação e alterando a absorção e eliminação do nitrogênio.
Por tudo isso é indicado que se evite o consumo excessivo de álcool antes do mergulho ou durante uma expedição. Caso você tenha bebido na noite anterior é provável que seu corpo esteja desidratado; beba bastante líquido, de preferência água. A advertência vale, principalmente, se o mergulho for exceder a faixa dos 25 metros de profundidade ou perto do limite de não descompressão.
Quanto à nicotina, obviamente o indicado é que se pare de fumar. Mas se isso não for possível deve se abster ao menos 12 horas antes de entrar na água, e jamais fumar durante o intervalo na superfície entre mergulhos. O cigarro reduz a taxa de oxigenação, devido à presença do monóxido de carbono e outras substâncias no sangue, intoxicando o organismo. O resultado é que para manter um nível normal de atividade o mergulhador terá maior trabalho, pois estará reduzindo a capacidade do corpo processar o oxigênio. Os efeitos da pressão parcial na concentração de CO na inalação da fumaça do cigarro seriam os mesmos que o CO vindo do óleo lubrificado dos compressores ou da atmosfera, por exemplo.

Nenhum comentário: